Carlos Emiliano Eleutério
IRRADIAÇÃO DE FRUTAS E ALIMENTOS COMEÇA A SER IMPLANTADA NO BRASIL
Técnica pode ajudar o País a dobrar a receita de exportações de frutas
para US$ 3 bilhões

O Brasil exportou cerca de 1,2 milhão de toneladas de frutas em 2025, equivalentes a mais ou menos US$ 1,5 bilhão, mas poderia ter vendido o dobro disso
ao exterior se já adotasse técnicas como a irradiação de alimentos, a exemplo do que já fazem mais de 60 países no mundo.
A estimativa é da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas), salientando que o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de
frutas, perdendo apenas para Índia e China, mas mesmo assim é apenas o 23º no ranking das exportações. Contudo o País tem um potencial muito superior para produzir e exportar.
O assunto será o tema central da 4ª edição do Seminário Múltiplas Aplicações da Energia Nuclear e das Radiações, que acontece no Rio de Janeiro, no próximo dia 18 de novembro, no auditório do Clube de Engenharia. O evento se desenvolverá em modo presencial, das 9:00h às 18:00h, com transmissão ao vivo pela internet. A irradiação de alimentos consiste em uma técnica que expõe os produtos a doses controladas de radiação ionizante (como raios gama, raios X ou feixes de elétrons). O objetivo é eliminar bactérias e pragas, inibir o brotamento e retardar o amadurecimento, aumentando a validade e a segurança sanitária sem alterar o sabor ou valor nutricional. Além de uma ferramenta social para enfrentar o desafio do desperdício de alimentos e, por consequência, a fome, a técnica é uma excelente oportunidade de negócios para o País, beneficiando produtores, distribuidores e exportadores de frutas e alimentos com a abertura de novos mercados no exterior.
Potencial reprimido
A fruticultura brasileira movimenta uma cadeia produtiva que gera cerca de 5 milhões de empregos diretos e indiretos, ocupa aproximadamente 2,5 milhões de hectares com produção anual de aproximadamente 51 milhões de toneladas de frutas, segundo estimativas mais recentes da Abrafrutas para 2025. O potencial do país como produtor e exportador, contudo, é muito superior e poderia dobrar o volume de suas exportações e, consequentemente, a receita do comercio exterior desse item do agronegócio. E ainda estimular o aumento da produção e reduzir o desperdício de alimentos, que hoje é um
problema mundial.
Este desafio cresce na medida em que as mudanças climáticas começam a impactar diretamente a segurança alimentar e nutricional. Projeções recentes indicam impactos negativos, como a redução da resiliência das plantas e da produtividade das culturas, o aumento de pragas e doenças, a inaptidão de locais para o cultivo e o risco de desastres e perdas de colheitas, até mesmo a extinção de algumas espécies.
O desafio não é apenas aumentar a produção, mas evitar a redução das áreas plantadas e a perda de produtividade, além de conter a fome e o paradoxo do
desperdício de alimentos. Em resumo, o quadro atual das mudanças climáticas e seus impactos sobre a produção de alimentos já demonstra evidências claras da necessidade de medidas urgentes para garantir a oferta e a qualidade dos alimentos, como a técnica de “Irradiação”.
NBEPar sai na frente
Algumas iniciativas no sentido de implantar a atividade no Brasil já estão sendo implementadas por empresas brasileiras junto a produtores e exportadores. Uma das empresas que lideram esse processo é a Núcleo Brasil Energia (NBEPar), vinculada ao Grupo Diamante (Holding). Dirigida pelo Almirante Ney Zanella, a NBEPar tem como objetivo atuar no mercado de irradiação de alimentos e também nos setores de mineração e energia nuclear.
Na área de irradiação de alimentos, a proposta da empresa é criar um modelo de parceria similar a um consórcio, unindo fornecedores de frutas, atacadistas e exportadores. O objetivo é implantar a irradiação de alimentos em grandes centros consumidores ou próximos a portos de exportação.
Atualmente, essa tecnologia de irradiação ainda não é aplicada no Brasil. Para implementar a atividade aqui, a NBEPar buscou a parceria da Amazul e do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), atuando como um fomentador desse processo, que envolve não apenas a aquisição de equipamentos, mas também toda a conformidade regulatória e licenciamento junto à Anvisa e outros órgãos competentes, como a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) etc. Segundo Ney Zanella, o modelo de negócios está pronto e, já neste segundo semestre, uma nova empresa deverá ser constituída em São Paulo para receber cotistas e investidores, entre produtores, exportadores e outras empresas interessadas no negócio e no setor.
Empresas e entidades ligadas ao setor nuclear, governo, agronegócios, à cadeia de produção e distribuição, exportação, tecnologia, indústria consultoria, engenharia, projetos etc. podem participar, apoiar e patrocinar este debate no Seminário sobre Irradiação de Alimento em novembro. Encontro importante e estratégico para o agronegócio, para o setor nuclear e para o País, já conta com apoio da Abrafrutas, Amazul e da NBEPar. As inscrições também já estão abertas no endereço abaixo e nos e-mails da Casa Viva Eventos, idealizadora e organizadora do evento.
Mais informações
Informações e inscrições
www.eventoscasaviva.com.br
inscricao.planeja@gmail.com/casavivaoperacional@gmail.com
Tel: (21) 3301-3208 / 99909-9900











